• Pedro Poncioni

Natureza na presença

Há 400 anos antes de cristo, um filósofo chamado Heráclito dizia: “Em seus momentos despertos os homens são tão negligentes e descuidados com aquilo que os circunda como o são quando adormecidos. Tolos! Embora ouçam, são como surdos; a eles aplica-se o adágio: mesmo presentes estão sempre ausentes.”


Ele considerava que o homem desperto era aquele que ouvia o logos, a verdade - verdade essa que não emanaria de nenhuma lógica ou racionalidade humana, mas sim da physes, a natureza viva. Se o homem não a escuta, é negligente, ou seja, ausente mesmo que presente. Ou seja, sonhando mesmo que acordado.


Para aqueles que estão despertos, a natureza desvelaria sua verdade viva em sua harmonia oculta pois “natureza gosta de se esconder”, dizia o filósofo. Presença, portanto, poderia ser entendida como uma escuta harmônica da verdade viva daquilo que estaria ao nosso redor e, não menos, em nosso ser mais profundo.


Presença seria estar acordado em dois sentidos: desperto para a escuta da physes e de acordo com sua verdade viva. Contrários à physes, estaríamos ausentes mesmo que presentes. Para nos lembrar dessa verdade em sua simplicidade o filosofo dizia que:

"Deus é dia e noite, inverno e verão”, mas essa é outra estória ou a mesma de um outro modo.


*Pedro Poncioni é carioca, doutor em filosofia e tarólogo.

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